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Meu nome é Mari Ane e, pelos próximos 15 dias, terei a lua no meu corpo.

Venho trabalhando no mercado dos vestidos para ajudar as pessoas a se vestirem com tecidos de seda com bolinhas.

Adquiri uma tatuagem temporária da lua dia desses. Fiz contrato com o detentor de tal arte e disse-lhe: “estou adquirindo esta lua para colocá-la no braço esquerdo e lembrar-me de que ela existe. Um dia, vou pra lua. Andei conversando com umas pessoas interessadas em fazer caravana pra lá também.”

Cansada da prática de perambular, encontrei-me na casa de minha mãe, o que, para mim, era como lidar um tanto com as minhas explicações e ruminações sobre a origem de meu ser (e isto me parecia algum tipo de experiência cabal, como se fosse eu uma espécie de Darwin com sua Origem das Espécies).

Enquanto eu partia, disse ela: “fique aqui, ora”. E eu disse: “tenho que ir”. Depois, tratei de fazer alguma referência a Nelly Furtado (é!), com algo como “I’m like a bird. I like to fly away.” Mamãe apontou para a cadela e disse apenas: “você passou tanto tempo por aí que a cachorra já até vai dar cria, olha!” (Mamãe gosta de cachorros.)

Complico-me no uso de anéis. Se tivesse de manter um como as pessoas casadas ou como Frodo daquela história do Senhor dos Anéis, então receio que o perderia, mesmo que a história a ser contada fosse a de mantê-lo a salvo até o fim. Acho eu.

Alguns chamam isto de más ruminações. Talvez sejam. Mas o que acontece é que cada vez que tenho um anel, tão redondo como é, arredondado assim em volta do dedo, parece que meu dedo diz pra minha cabeça que ele está aprisionado, como que em grito de formiga (se houvesse algo assim). “Mas alto lá!”, digo pra mim mesma, “Anéis não são monstros. Alguns até os consideram presentes manufaturados.”

Normalmente, eu mesma não uso muito vestidos, embora os venda. Acho-os bonitos, mas acho que beleza não importa 24 horas no dia. Se você alguma vez foi bonito num momento e não mais no outro, então pode saber do que eu estou falando.

Tenho um quadro na minha parede onde se lê ”Life is a beach”. (Ainda não me livrei do trocadilho pra beach. Mas é que bitch também vem à mente quando penso na inscrição. Quase sempre.) Adquiri-o quando me atentava em construir um lar pra mim mesma, não tinha uma casa própria e tinha de começar por algum ponto.

Minha amiga Alice disse que gosta do azul do quadro. Toda vez que olho pra ele, lembro-me de começos. Começa-se a “construir” uma casa com um quadro, eu suponho. De todo modo, e, sabendo que meu lar começa assim, com uma pessoa e uma pintura, ”I’m gonna call it home“.

* Título inspirado por outro, o Story of Stuff, deste vídeo. Mas só o título, não o conteúdo. ^^